Como verificar a quilometragem real: sinais de fraude no hodômetro

A quilometragem de um veículo é um dos dados mais verificados por compradores antes de fechar negócio. Ainda assim, a adulteração do hodômetro segue como uma prática recorrente no mercado de usados, trazendo prejuízos financeiros e até riscos à segurança.
Por isso, entender como verificar a quilometragem real e reconhecer os sinais de manipulação é essencial antes de fechar negócio.
A quilometragem real é importante?
A quilometragem indica o nível de desgaste natural do veículo. Ela influencia diretamente em pontos como, a vida útil do motor, estado da suspensão, freios e até o valor de revenda.
Um carro com baixa quilometragem, em tese, exige menos manutenção imediata. Quando esse número é adulterado, o comprador pode assumir custos inesperados logo após a compra, além de comprometer sua segurança.
Além disso, a quilometragem real ajuda a validar se o uso do veículo foi compatível com sua idade e finalidade, seja urbano, rodoviário ou comercial.
Como funciona a fraude
Esse tipo de fraude ocorre quando a quilometragem exibida é reduzida de forma manual ou eletrônica. Em veículos antigos, a manipulação era feita diretamente no painel. Já nos modelos modernos, o processo pode envolver softwares e equipamentos eletrônicos.
Mesmo com a evolução tecnológica, nenhum sistema é totalmente imune. Por isso, a checagem não deve se basear apenas no número mostrado no painel.
Sinais físicos: o carro fala o que o painel esconde
Muitas vezes, o hodômetro marca um número baixo, mas o “corpo” do carro conta outra história. Se o painel indica 30.000km, o interior deve parecer novo.
Desgaste de componentes internos
Fique atento aos pontos de contato, se o volante está descascado, a manopla do câmbio está lisa e os pedais de freio e embreagem apresentam borracha gasta, o carro dificilmente tem baixa quilometragem.
Esses tipos de sinais costumam aparecer com mais evidência após muitos quilômetros rodados.
Estado dos pneus
Um jogo de pneus novos, dura em média entre 40.000 e 60.000 km. Se você está olhando um carro com 20.000 km no painel, ele deve estar com pneus originais de fábrica.
Observe a data de fabricação nas laterais do pneu. Se os pneus forem mais novos ou muito mais velhos que o carro, desconfie da quilometragem real.
Verificação mecânica e eletrônica
A tecnologia facilitou a fraude, mas também criou meios de combate-la. Atualmente, a maioria dos carros armazena informações de rodagem em mais de um lugar.
Scanner automotivo
Muitos fraudadores alteram apenas a informação que aparece no visor do painel. No entanto, a quilometragem costuma ficar registrada na central eletrônica (ECU) ou no módulo de transmissão.
Um mecânico de confiança, utilizando um scanner profissional, pode acessar esses dados ocultos e verificar se coincidem com o que você vê no painel.
Marcas de intervenção no painel
Em modelos mais antigos ou com painéis analógicos, procura por marcas de parafusos mexidos ou desalinhamento dos números. Nos digitais, observe se há poeira por trás do vidro do painel ou se o conjunto parece ter sido removido.
Documentação e histórico de revisões
A trilha de papel é uma das formas mais eficazes de confirmar se a quilometragem no painel é real.
- Manual do proprietário: Verifique os carimbos das revisões. Cada entrada deve conter a data e a quilometragem da época. Observe se a progressão é lógica (ex: 10k em 2021, 20k em 2022).
- Notas fiscais de serviço: Trocas de óleo costumam ter etiquetas no para-brisa ou notas fiscais que registram a quilometragem. Compare esses registros com o painel atual.
- Relatórios de vistoria cautelar: Verifique se o veículo passou por vistorias anteriores onde a quilometragem foi registrada.
O impacto da quilometragem adulterada no valor do veículo
A adulteração do hodômetro pode inflar o preço do carro em até 20%, segundo estimativas do mercado. Para o comprador, isso significa pagar mais por um veículo que, na prática, vale menos.
O prejuízo financeiro vem acompanhado de impacto direto na confiabilidade do veículo, já que manutenções essenciais podem ter sido adiadas com base em uma quilometragem adulterada.
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Identificar se a quilometragem foi adulterada exige um olhar clínico e o uso das ferramentas corretas. Ao combinar a análise visual do desgaste, a verificação mecânica e a consulta de dados históricos, você reduz drasticamente as chances de ser vítima de uma fraude.