O impacto do registro “Recuperado de sinistro” no valor do seguro

No mercado automotivo, o termo “recuperado de sinistro” indica que um veículo sofrer um dano relevante no passado e passou por reparos antes de voltar a circular. Esse registro costuma aparecer após colisões, alagamentos, incêndios ou outros eventos que geraram indenização ou avaliação técnica pelas seguradoras.
Esse histórico fica vinculado ao veículo por meio do número do chassi. Isso significa que, mesmo após o reparo, a informação acompanha o carro ao longo de toda sua a vida útil.
Neste artigo, vamos explicar por que ignorar esse fator, tem reflexos diretos no valor do seguro e na aceitação do veículo pelas seguradoras.
O que define um veículo recuperado de sinistro?
Para entender o impacto no seguro, é preciso diferenciar os tipos de danos. O Conselho Nacional de Trânsito (CONTRAN) classifica os sinistros em três categorias: pequena, média e grande.
Casos de pequena monta geralmente não recebem o registro de “recuperado” no documento (CRLV), pois danos não afetaram a estrutura vital.
Já os de média monta exigem reparos mais profundos e, após vistoria e emissão do CSV, passam a constar como “recuperados de sinistro” no histórico do veículo.
Veículos de grande monta, por sua vez, são considerados sucata e não podem retornar à circulação.
Impacto direto no valor do seguro
A lógica das seguradoras é baseada puramente em análise de risco. Para essas empresas, um veículo recuperado de sinistro representa uma incerteza maior. Existem três razões principais para o aumento da apólice:
- Integridade estrutural: Mesmo com o CSV, a seguradora entende que o carro pode não oferecer a mesma resistência em uma eventual segunda colisão.
- Dificuldade de reposição: Peças que já foram reparadas ou substituídas podem apresentar problemas de ajuste, elevando o custo de futuras manutenções.
- Liquidez de mercado: Como o carro vale menos na revenda, a seguradora assume um ativo de menor liquidez.
Em média, o valor do seguro para veículos com esses veículos pode ser entre 20 e 50% mais caro do que para um modelo sem esse histórico. Além disso, é comum que a cobertura não seja de 100% da tabela fipe.
Risco de recusa na contratação do seguro
Não são raras as situações em que seguradoras tradicionais se recusam a aceitar veículos com histórico de sinistro. Quando aceitam, as exigências de vistorias cautelares são muito mais rigorosas.
Como alternativa, o proprietário muitas vezes recorre a associações de proteção veicular ou seguro específicos, que possuem coberturas mais abrangentes.
Desvalorização e o mercado de revenda
Além do custo recorrente com o seguro, o impacto na revenda é imediato. Um carro recuperado de sinistro sofre uma desvalorização que pode variar de 20% a 30% em relação ao preço de mercado.
Para empreendedores ou motoristas que pretendem ficar muitos anos com o veículo, a compra pode parecer vantajosa pelo baixo custo inicial. Entretanto, é fundamental colocar na ponta do lápis se a economia na compra compensa o gasto extra com o seguro e a dificuldade futura de passar o veículo adiante.
Importância de consultar o histórico veicular
Muitos proprietários só descobrem o impacto do sinistro depois da compra, quando tentam contratar o seguro.
Por isso, a consulta prévia ao histórico do veículo é fundamental. A Checktudo permite identificar registro de sinistro, passam por leilão e outras ocorrências relevantes antes mesmo da compra ou da cotação de seguro.
Com essa informação em mãos e antes de fechar negócio, consulte o histórico veicular completo na Checktudo. O histórico do veículo traz dados que não são visíveis, mas que pesam diretamente no bolso.
Conclusão
O registro de recuperado de sinistro impacta diretamente o valor do seguro, a aceitação pelas seguradoras e o custo total do veículo ao longo do tempo. Embora não torne o seguro impossível em todos os casos, ele eleva o risco percebido e, consequentemente, o preço.
Para tomar decisões mais seguras e conscientes, o ideal é sempre contar com informações completas sobre o passado do veículo.