A reforma tributária avançou para uma nova etapa em 15 de outubro de 2026, com o início dos testes da reforma pública do split payment. A etapa conecta sistemas de pagamento à infraestrutura da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS.

Mas o que os testes do split payment mudam, de fato, para as empresas? Por ora, pouca coisa, a mudança não atinge vendas reais nem altera o dinheiro recebido pela empresa, porém, sinaliza uma transformação na arrecadação dos tributos sobre o consumo.

Neste artigo, você vai entender como funciona o split payment, o alcance dos testes e quais ajustes financeiros, fiscais e operacionais merecem atenção das empresas.

O que é o split payment e o que está em teste

Split payment quer dizer pagamento dividido. Na liquidação, o sistema separa a parcela de IBS e CBS e a envia ao recolhimento. O fornecedor recebe apenas o valor líquido.

Hoje, o caminho é diferente. A empresa vende, recebe o valor total e apura os tributos depois. Esse intervalo funciona, na prática, como um respira para o capital de giro.

A fase iniciada em outubro, porém, é técnica. Participam os prestadores de serviços de pagamento, instituições que operam meios eletrônicos de pagamentos.

Como funcionam os testes

  • Testes em ambiente controlado, de caráter exclusivamente técnico

  • Nenhuma transação processada de forma definitiva

  • Ausência de penalidades para os PSPs participantes

  • Consumidores e vendas reais fora do alcance dos testes

Segundo a receita, o objetivo é chega a comunicação entre os sistemas e corrigir falhas antes do uso efetivo. Os demais PSPs poderão se inscrever a partir de 16 de novembro.

Quando o mecanismo passa a valer?

A Receita prevê a disponibilidade do split payment no segundo semestre de 2027. A adoção será gradual e facultativa, incialmente nas operações entre empresas (B2B).

Portanto, os testes de outubro não dividem o pagamento de ninguém. O valor desta fase está em outro ponto: o tempo de preparação que ela concede.

Existe respaldo legal e técnico para esse caminho. A Lei Complementar 214/2025 regulamentou o mecanismo, e a documentação da plataforma foi aprovada em agosto pela Receita e pelo CGIBS.

O que os testes mudam para as empresas

De início, mudam a prioridade de tecnologia. Documento fiscal e pagamento precisarão conversar, e essa vinculação é considerada fundamental para o funcionamento do sistema.

Por isso, ERPs, emissores de notas e rotinas financeiras entram no radar. Os documentos fiscais eletrônicos, inclusive, já recebem campos e regras da transição.

Efeitos no fluxo de caixa

O maior impacto virá depois, mas exige conta feita agora. Com o mecanismo em uso, a parcela de IBS e CBS deixa de ficar disponível para o fornecedor.

Veja um exemplo ilustrativo. Em uma venda de R$ 100 mil, suponha que R$ 20 mil correspondam aos novos tributos. Hoje, esse valor permanece no caixa até a apuração, com o split payment, segue direto ao recolhimento.

Resultado: menos folga entre receber e pagar. Quanto maior o faturamento, maior a parcela separada na liquidação.

Vale revisar:

  • Capital de giro e prazos de pagamento a fornecedores

  • Preços e contratos de longo prazo

  • Gestão dos créditos de IBS e CBS na cadeia

  • Sistemas de gestão e emissão de documentos fiscais

E as empresas do Simples Nacional?

O Simples tem regras próprias e não deve ser confundido com o regime regular. Quem deseja recolher IBS e CBS pelo regime regular tem até 30 de outubro para registrar a escolha.

Nas vendas entre empresas, o ponto de atenção é o sistema de créditos. Ainda assim, nenhuma pequena empresa passa a ter o pagamento dividido por causa dos testes.

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Como se preparar desde já

A janela até 2027 é curta para ajustes de sistema e generosa para planejamento. Algumas medidas ajudam:

  • Mapeie os sistemas: ERP, emissor fiscal e conciliação bancária;

  • Simule o caixa: estime o efeito da separação do tributo na tesouraria;

  • Converse com bancos e adquirentes: entenda como cada PSP pretende operar;

  • Revise contratos e preços: antecipe repasses e prazos;

  • Acompanhe a regulamentação: Receita e CGIBS seguem publicando atos técnicos.

Há ainda um ponto de governança. Com tributo e pagamento conectados, dados cadastrais incorretos viram risco operacional. Conferir quem está do outro lado da venda passa a fazer parte da rotina fiscal.

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Conclusão

Os testes do split payment sinalizam avanço na infraestrutura da reforma tributária, sem equivaler à cobrança definitiva nas operações comerciais. Para as empresas, a prioridade é organizar dados, revisar projeções de caixa e acompanhar as orientações oficiais.

Esse trabalho permite avaliar impactos concretos e preparar processos conforme o mecanismo entrar em operação.