A explosão do uso de inteligências artificiais trouxe avanços incríveis para o mercado, mas também abriu portas para crimes cibernéticos altamente complexos. Golpistas agora utilizam softwares para clonar rostos e vozes com precisão.

Criminosos podem utilizar deepfakes para imitar clientes, executivos, fornecedores ou outras pessoas durante chamadas, cadastros digitais e solicitações de operações financeiras.

Neste artigo, você vai entender como os golpes com deepfake funcionam, quais sinais indicam manipulação digital e que medidas ajudam a proteger sua empresa contra esse tipo de fraude.

O que é o deepfake e por que ele preocupa empresas

Deepfake é um conteúdo artificial ou manipulado por inteligência artificial que reproduz características de uma pessoa real. A técnica pode gerar rostos, vídeos, falas e até clonar uma voz a partir de materiais disponíveis na internet.

Na prática, o criminoso pode usar esse recurso para convencer um funcionário de que está falando com um cliente legítimo, simular uma videoconferência ou enviar um áudio supostamente gravado por um responsável pela empresa.

Segundo a Anatel, deepfakes capazes de imitar vozes, rostos e comportamentos já são utilizados em golpes voltados à obtenção de dados pessoas e vantagens financeiras.

Como os golpes funcionam na prática

Fraude de voz em ligações corporativas

Criminosos clonam a voz de executivos a partir de áudios públicos, como entrevistas ou vídeos corporativos. Com poucos minutos de gravação, softwares reproduzem tom, sotaque e ritmo de fala. A ligação parece genuína, inclusive para colegas próximos.

Vídeos falsos em processo de verificação

Outra tática usa vídeos manipulados durante videochamadas de autenticação. Bancos, fintechs e empresas de recursos humanos costumam validar identidade por FaceID. Fraudadores driblam essa etapa com rostos gerados por IA sobrepostos em tempo real.

Sinais que podem indicar um deepfake

Reconhecer uma manipulação apenas visualmente está ficando mais difícil. Ainda assim, alguns comportamentos e inconsistências podem justificar uma verificação adicional.

Entre os principais alertas estão:

  • Movimentos da boca pouco sincronizados com a fala

  • Expressões faciais ou piscadas pouco naturais

  • Alterações repentinas na qualidade da imagem

  • Iluminação diferente entre rosto e ambiente

  • Mudanças estranhas no tom ou ritmo da voz

  • Respostas genéricas diante de perguntas inesperadas

  • Resistência em realizar outra forma de confirmação

Esses indícios, porém, não devem ser usados isoladamente para concluir que existe uma fraude.

Fato que comprova o tamanho do risco

O caso mais citado no mundo corporativo aconteceu em Hong Kong. Um funcionário do setor financeiro de uma multinacional autorizou a transferência de cerca de US$ 25 milhões após participar de uma videochamada com o que acreditava ser a diretoria da empresa. Todos os participantes, exceto ele, eram deepfakes.

Relatórios do setor de segurança digital também mostram que poucos segundos de áudio público já bastam para clonar uma voz com alto grau de precisão. Gravações de entrevistas, podcasts e vídeos institucionais viraram matéria-prima para golpistas.

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Só observar o vídeo não é suficiente

Confiar exclusivamente na percepção do atendente cria uma vulnerabilidade. Conforme os modelos de inteligência artificial evoluem, identificar adulterações a olho nu tende a ficar mais difícil.

Por isso, controles adicionais ganharam importância. Uma das medidas é a prova de vida, conhecida como liveness, que busca confirmar se existe uma pessoa real participando daquele processo naquele momento.

Boas práticas para proteger sua empresa

Reduzir o risco de fraude por deepfake exige rotina, não apenas tecnologia. Pequenas mudanças de processo fazem diferença real no dia a dia corporativo.

  • Confirmar solicitações financeiras por um segundo canal, como telefone fixo

  • Estabelecer senhas verbais internas para autorizações urgentes

  • Treinar equipes de RH e financeiro para reconhecer sinais de manipulação

  • Validar identidade com múltiplos fatores, não apenas vídeo ou voz

  • Checar dados cadastrais de empresas e sócios antes de fechar negócios

Manter processos de verificação atualizados protege não só o caixa da empresa. Protege também a reputação construída ao longo de anos de relacionamento com clientes e parceiros.

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Conclusão

Ferramentas de inteligência artificial tornaram fraudes de identidade mais sofisticadas, mas o combate ao problema não depende de identificar visualmente cada conteúdo falso. O ponto principal é evitar que uma única imagem, voz ou videoconferência seja considerada prova definitiva de identidade.

Processos que combinam tecnologia, dados confiáveis, biometria, validações adicionais e análise do contexto reduzem essa dependência.