Será que realmente vale a pena negociar carros parcelados na promissória? A Checktudo vai te mostrar como esse tipo de negociação funciona e se é interessante fazê-la.

Mas antes, saiba mais sobre a nota promissória:

O que é uma nota promissória?

A nota promissória é um documento que registra uma dívida e obriga o devedor a pagar dentro de um tempo específico. Quando assinada pelo emitente, a nota recebe um caráter legal, podendo ser cobrada na justiça em caso de inadimplência.

Esse método pode ser encarado até mesmo como um financiamento. Na negociação, a revendedora pode aceitar parcelar o valor de um veículo por meio de várias notas promissórias, disponibilizando esse ‘crédito’ ao comprador, sem que isso esteja atrelado a um terceiro participante, como um banco, por exemplo.

Dessa forma, o comprador deverá pagar o valor registrado nas notas dentro do prazo correto, caso contrário, poderá ser cobrado judicialmente.

Esse documento está previsto na Lei Uniforme de Genebra, e é explicado no decreto número 57.663, de 24 de janeiro de 1966, a partir do artigo 75.

O prazo para o apontamento de uma nota é de três anos a partir da data de vencimento do pagamento da dívida.

Quais informações são necessárias na nota?

Para a nota ter validade, é necessário que ela seja preenchida corretamente com as informações importantes, de acordo com o decreto número 57.663. Confira abaixo!

  • Denominação “nota promissória” inserida no próprio texto do título e expressa na língua empregada para a redação desse título;
  • A promessa pura e simples de pagar uma quantia determinada;
  • Época do pagamento;
  • Indicação do lugar onde será efetuado o pagamento;
  • Nome da pessoa a quem ou à ordem de quem deve ser paga;
  • Indicação da data e do lugar onde a nota promissória é passada;
  • Assinatura de quem passa a nota (subscritor/comprador).

Como preencher promissória corretamente?

A promissória é um título de crédito que formaliza uma dívida. Para garantir a sua validade e evitar problemas futuros, é fundamental preencher o documento de forma correta. Veja um passo a passo:

Identificação das partes

  • Emitente: quem emite a promissória (devedor);
  • Beneficiário: a quem a dívida é devida (credor);
  • Local e data: onde e quando a promissória foi emitida.

Valor da dívida

  • Valor por extenso: escrever o valor da dívida por extenso (ex.: “Um mil reais”);
  • Valor em números: indicar o valor em algarismos e utilizar o símbolo de “jogo da velha” (#) para evitar alterações. (ex.: #R$ 1.000,00#)

Vencimento

  • Indicar a data exata em que a dívida deve ser paga.

Local de pagamento

  • Informar o local onde o pagamento deverá ser realizado.

Cláusulas adicionais

  • Juros: se houver cobrança de juros, especificar a taxa e o tipo de juros;
  • Multa: caso haja multa por atraso, definir o valor ou percentual;
  • Garantias: se houver alguma garantia vinculada à promissória, descrevê-la.

Assinaturas

  • Assinatura do emitente: a assinatura do emitente deve ser feita de forma legível;
  • Testemunhas: a presença de testemunhas pode fortalecer a validade do documento.

De quem é a responsabilidade de fazer a nota promissória?

A responsabilidade de fazer e emitir esse documento é do comprador, que poderá contar com auxílio jurídico. Já o beneficiário, que no caso explicado é a revendedora de veículos, deverá ceder o crédito ao comprador, por meio desse documento, caso a negociação seja aceita.

Vale relembrar: se os pagamentos não forem feitos dentro do prazo estipulado, a nota poderá ser protestada de forma judicial pelo credor, com o auxílio de um advogado habilitado.

No caso de valores abaixo de 20 salários-mínimos, o credor pode protestar judicialmente sem contratar um advogado particular, precisando apenas buscar ajuda do Juizado Especial Cível.

Qual é a diferença entre nota promissória e cheque?

Apesar de serem métodos semelhantes, existe uma diferença muito importante entre a nota promissória e o cheque.

A nota é uma promessa de pagamento e envolve apenas duas pessoas: o comprador e o credor.

Já no caso do cheque, ele é uma ordem de pagamento, pode ser pré-datada ou não, e envolve três participantes nessa operação: o comprador, o vendedor e o banco onde o comprador tem o dinheiro depositado na conta.

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Por que vender carros na promissória pode ser vantajoso?

Para o vendedor, aceitar essa modalidade de pagamento pode facilitar o processo de venda, principalmente com a baixa no setor automotivo.

Ela pode ser encarada como uma forma de financiamento do seu próprio comércio. Além disso, o credor tem o amparo jurídico de poder protestar a nota no caso de não cumprimento do pagamento.

O cliente, por sua vez, pode tentar uma negociação com entrada, para abater parte da dívida, parcelando o restante, ou até mesmo sem entrada, tendo todo o valor dividido, com prazos de pagamento predeterminados.

Por que vender carros na promissória pode ser uma desvantagem?

Se a forma de pagamento definida for o parcelamento por nota promissória, o credor não receberá de forma integral no ato da venda.

Com isso, se faz necessário um planejamento financeiro, para avaliar se é de fato seguro optar por essa modalidade. De quebra, o comerciante tem um maior risco de lidar com a inadimplência.

Já no caso do cliente, é muito importante manter os pagamentos em dia, para não ter problemas jurídicos que o levem a ter bens bloqueados ou retirados, para que a dívida seja paga.

Como vender carros parcelados na promissória?

Se você tem interesse em vender carros parcelados na promissória, será necessário solicitar que o comprador emita uma nota para cada uma das parcelas, sempre contendo o valor exato de cada fração.

A nota também deverá ter a identificação correta sobre a qual parcela ela corresponde e todas as notas emitidas deverão ser assinadas pelo comprador.

Venda de motos na promissória vale a pena?

A venda de motos na promissória pode ser uma opção para algumas situações, mas é importante avaliar os riscos e benefícios com cuidado:

Principais vantagens

Flexibilidade: pode facilitar a negociação, especialmente em casos de compra e venda entre particulares.

Agilidade: a transação pode ser realizada mais rapidamente do que em um financiamento tradicional.

Desvantagens

Risco de inadimplência: se o comprador não honrar a dívida, a cobrança pode ser mais difícil e demorada do que em um financiamento bancário.

Falta de garantia: a promissória não oferece a mesma segurança que um financiamento, pois não há uma instituição financeira garantindo a operação.

Valorização da moto: se a moto perder valor rapidamente, o credor pode ter dificuldades para recuperar o valor total da dívida em caso de inadimplência.